sexta-feira, 26 de abril de 2013

SE NÃO QUEBROU, NÃO CONSERTE


Ou ainda:

UMA EMPRESA É GERIDA USANDO UM COMPUTADOR FABRICADO EM 1948!!!!1!!!!1!!! THIS IS SPARTAAAAA!!!!!

Ok.

Cheguei nessa reportagem através de um link que o Ernesto Nakamura postou lá no Facebook. Se o inglês não for problema, leia, porque é muito interessante.

Abaixo, dois trechos:

"These legacy systems are integrated into multibillion dollar systems as control or test systems," Jones says. Replacing these old systems with modern machines, she explains, would cost millions of dollars and could potentially disrupt national security.

The biggest problem with maintaining such ancient computer systems is that the original technicians who knew how to configure and maintain them have long since retired or passed away, so no one is left with the knowledge required to fix them if they break.


Achei legal, já que recentemente perdi uma semana tentando ressuscitar um notebook de 2005, por causa de uma porta serial. Os adaptadores serial-usb que existem por aí estão ficando cada vez melhores. Mas, acreditem, alguns equipamentos industriais mais antigos se recusam a funcionar com este ou qualquer outro tipo de conversor.

O problema é o HD, que está cheio de badblocks. Custei a encontrar um outro compatível (IDE 1, que já não é fabricado há muito tempo). Achei um usado, paguei os olhos da cara. Aí na hora de formatar o bicho, descobri que havia algum defeito no drive de CDs que me impedia de bootar com o CD do Windows XP. Então tive mais um trabalho do inferno para fazer um pendrive bootável. Que não funcionou. Então desisti do Windows e parti para a instalação do Lubuntu, que me permitiria virtualizar um XP com configurações bem modestas, mas funcionais. Então, no meio do processo, o monitor resolver me dar adeus.

Fiquei muito fulo, e acabei desistindo da empreitada. A contragosto tive que devolver o HD, que não ia me servir para mais nada (mas já foi vendido, se você quer mesmo saber).

O problema que tínhamos acabou sendo resolvido de outro jeito, mas isso me fez pensar como setores críticos da sociedade são dependentes de tecnologias que já morreram ou que estão com um pé na cova.

A automação industrial é um bom exemplo disso: boa parte dos sistemas são exclusivamente WindowsXPcêntricos. Em pleno 2013, ainda são fabricados equipamentos que só funcionam ou que só podem ser acessados através de programas que rodam no XP. Nada de Vista, nada de 7 e Windows 8 então, nem pensar!

Aliás, a minha "workstation" é uma máquina virtual do XP.

O problema não é usar tecnologias antigas, porém estáveis. O problema é utilizar tecnologias que pertencem a empresas/grupos que não tem interesse em manter aquilo funcionando por muito tempo. A tal obsolescência programada. Ano que vem a Microsoft mata de vez qualquer tipo de suporte e atualizações de segurança do XP.

Para equipamentos que trabalham isolados, isso não representa um grande problema. Mas com a integração cada vez maior do "chão de fábrica" com níveis mais altos das redes corporativas, e as vezes até com a própria internet, esse abandono por parte da nave mãe pode sim representar um risco à segurança dos equipamentos e, principalmente, das pessoas que trabalham perto deles.

Isso também me fez pensar sobre alguns velhos hábitos que vão ficando com a gente à medida que envelhecemos. Eu só consigo fazer cálculos que vão me tomar mais de dois minutos na minha velha HP 48G, que já está quase nos vinte anos.

Como diz a canção, "panela velha é que faz comida boa"! :)

2 comentários:

  1. "Velho e funcionando": COBOL. E seus programadores ainda são bem pagos. :P

    http://www.guardian.co.uk/technology/2009/apr/09/cobol-internet-programming

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    1. Que demais! E, sim, uma linguagem que foi desenvolvida numa época em que nem havia cpus (pelo menos não como conhecemos hoje) deve ser muito, mas muito rápida num sistema mais novo.

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